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As fantasias para o Carnaval 2009

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 03/10/2008 09:53:42

Antes de analisarmos as fantasias da Beija Flor, Grande Rio e da Unidos da Tijuca vou recordar os parâmetros de julgamento do quesito Fantasia.

"Neste Quesito estão em julgamento as fantasias apresentadas pela Escola, com exceção das que estiverem sobre as alegorias, as fantasias do casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira e a fantasia da Comissão de Frente.

Para conceder notas de 07 à 10 pontos, o Julgador deverá considerar:

- a concepção e a adequação das Fantasias ao Enredo, as quais, com suas formas, devem cumprir a função de transmitir as diversas partes do conteúdo desse Enredo;
- a capacidade de serem criativas, mas devendo possuir significado dentro do Enredo;
- a impressão causada pelas formas e pelo entrosamento, utilização, exploração e distribuição de materiais e cores;
- os acabamentos e os cuidados na confecção;
- a uniformidade de detalhes, dentro das mesmas Alas, Grupos e/ou Conjuntos (igualdade de calçados, meias, shorts, biquínis, soutiens, chapéus e outros complementos, quando ficar nítida esta proposta).

Penalizar:
- a ausência significativa de chapéus, sapatos e outros complementos de Fantasias, quando ficar nítido que a proposta era originariamente com a presença desses elementos das indumentárias.

Não levar em consideração:
- a inclusão de qualquer tipo de merchandising (explícito ou implícito) em Fantasias;
- a presença de desfilantes com a genitália à mostra, decorada e/ou pintada;
- a quantidade de Diretores com camisas da Escola, desde que desfilem pelas laterais ou na parte final da Escola;
- questões inerentes a quaisquer outros Quesitos".
 

Percebemos que em nenhum momento o luxo, a opulência e o requinte são citados. A concepção, a criatividade, os acabamentos e a adequação ao enredo são os pontos primordiais do quesito. A subjetiva impressão causada pelas formas e pelo entrosamento e a distribuição de cores e materiais que poderíamos traduzir com bom gosto é que sempre me deixou preocupado. 

Como o julgador faz a sua análise desse tópico? Considera materiais como qualidade de materiais e nisso fica implícito o luxo e o requinte? Considera que o cetim é um material inadequado? Considera o preço do tecido fundamental? São respostas que somente o julgador pode nos dar. 

Uma coisa é inevitável por mais puristas que desejamos parecer, o luxo pode ser exagerado, desnecessário, mas ele enche os olhos. Ele não está no quesito, mas não há julgador que por ele não se deixe levar. O luxo e principalmente o bom gosto fazem tão bem aos olhos e certamente são transformados em indispensáveis décimos.

Unidos da Tijuca

É inegável o crescimento do trabalho do amigo Luiz Carlos Bruno. O conjunto de fantasias é bem superior ao trabalho do ano passado. Eu gosto de fantasias leves que permitam uma evolução solta do componente e nisso o Bruno foi bastante cuidadoso. A presença das cores da escola é percebida. No entanto, algumas fantasias me pareceram leves demais, e até um pouco pobres em detalhes e materiais. 

O que não podemos negar é que esse é o estilo da Tijuca, ela não tem o poderio econômico de suas co-irmãs e vem optando por um estilo mais para a originalidade e tem com isso, e desde o carnavalesco Paulo Barros, beliscado excelentes e merecidas colocações. Não adianta apresentarmos fantasias grandes e luxuosas se a alegoria que vem a seguir for original. Considero a fidelidade ao estilo o ponto marcante nos protótipos da Unidos da Tijuca. O componente da Tijuca gosta de desfilar com leves, ele já se acostumou a elas.

Grande Rio

A Grande tem um estilo bastante diferente da Unidos da Tijuca, portanto é muito difícil compará-las e não será essa a minha intenção. Percebo algumas fantasias de altíssimo bom gosto e outras nem tanto. Alguns exageros de detalhes poderiam ser evitados e deverão ser enxugados nas reproduções. Não percebi as cores da escola, não que isso seja fundamental, mas senti falta do verde e vermelho nas fantasias.

Em algumas delas a evolução será comprometida, salvo limpeza nas reproduções. A fantasia da corte brasileira está irretocável, rica, adequada e de muito bom gosto, o mesmo não posso afirmar da corte francesa, com adereços em exagero. 

Como apresentação de protótipos tem uma frase famosa: "Veja aqui o que você não verá na avenida", acredito que o carnavalesco Cahe Rodrigues reavalie os exageros e na avenida vejamos fantasias menos gigantescas e mais funcionais. Apesar disso, eu percebi coerência nas características da Grande Rio.

E ainda tem a Beija-Flor...

Cada escola tem o seu estilo e a Beija tem o seu. A garra dos componentes e a fidelidade deles com a escola nilopolitana são invejáveis. Êta povo pra cantar com garra e vibração o seu samba. E eles saberão suportar todo o peso de suas fantasias. 

O meu amigo Alexandre Louzada, quem não sabe ele começou no mundo do samba como compositor e passista, sempre gostou de plumas. Não me lembro de fantasias dele sem o característico mar de plumas. Ele sempre teve bom gosto e parece que a Comissão de carnaval da Beija acrescentou um pouco mais. 
As fantasias da Beija-Flor estão fantásticamente bonitas. O bom gosto impera, um exagero aqui e outro ali, mas nada que as reproduções não possam corrigir. Não é o meu estilo de fantasias, prefiro leves, coloridas e mais originais. Mas sei respeitar o talento, o requinte e o bom gosto. As fantasias da Beija-Flor deram um show. Gostei muito do conjunto, da leitura, da opulência e da adequação de cada uma delas. Parabéns Beija-Flor. Meus olhos agradecem terem conhecido um trabalho tão bonito.

Como carnavalesco me emocionei com o trabalho do Alexandre e da Comissão de Carnaval. Show de bola, ou melhor, show de fantasias. Tudo dentro de seu estilo. Se o Bruno nos apresentasse na Tijuca esse conjunto da fantasias, eu o chamaria de louco, esse não é o estilo da escola do Borel. E seu a Beija-Flor apresentasse os protótipos da Tijuca, eu estaria criticando, pois aquela não seria a escola de Nilópolis.

Essa vida de crítico tem suas particularidades. É tão fácil falar, tão fácil criticar, mas trabalhar é outra coisa, Ser pedra é fácil e cômodo, difícil é ser vidraça. 

Com os dedos no teclado, sabemos de tudo, mas combinar formas, cores, penas, adereços e materiais diversos é outra coisa e garanto, muito mais difícil. Por isso, parabenizo os meus amigos Alexandre Louzada, Cahe Rodrigues e Luiz Carlos Bruno pelo belo trabalho e esforço. São estilos diferentes, mas cada um com o seu modo trouxe um pouco do que veremos no próximo carnaval. E teremos, com certeza, um belo carnaval.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


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A Lesga e seus regulamentos

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 21/09/2008 23:19:50

Conforme prometi vou dar continuidade na análise das alterações promovidas pelas LESGA para o próximo carnaval. Antes gostaria de responder a um comentário sobre a minha matéria anterior. Mesmo discordando de alguns pontos do novo regulamento da LESGA, continuo bastante entusiasmado com a sua criação. Para mim, o salto de qualidade que esse grupo estará dando é inegável. 

A festa de apresentação dos enredos, na última segunda-feira, na impecável quadra de ensaios da Estácio de Sá, já é uma mostra de que a LESGA não nasceu pra brincadeira e nem da vaidade de alguns presidentes. Ela não é, simplesmente, uma dissidência política da AESCRJ e sim um grupo que se formou pela necessidade de valorização e plena autonomia do Grupo de Acesso A. 

Até agora, sou fã incondicional da Liga das Escolas do Grupo de Acesso, mas me permitam criticá-la, se críticas, dentro do meu modo de ver as coisas, ela fizer por merecer.

Voltams para análise:

Não é obrigatória a presença da Ala das Crianças no desfile - É verdade que toda obrigatoriedade tem o seu lado irracional, mas me preocupo muito em não ver as crianças nos desfiles do grupo A. Confesso que no Grupo Especial não me incomodaria muito em não ver as crianças, já que as escolas mirins preenchem, de uma certa maneira, essa ausência, pois quase todas, ou todas elas têm sua representação nas escolas infantis. 

Já no grupo A essa representatividade quase não existe. E essa falta de continuidade pode não ser muito interessante para as escolas. Imaginemos um grande clube carioca de futebol terminando com suas equipes de base. Isso não seria muito interessante, pois em breve, a renovação se faria necessária. 

O mesmo vejo para as escolas de samba. É fundamental que nossas crianças tenham amor pelo samba e pelo desfile de escolas de samba. E o momento maior para isso é o desfile na passarela do samba. Só fantasiada e cantando samba-enredo a criança se contagia, como nós, por esse mundo mágico dos desfiles de escolas de samba. O funk está esperando de braços abertos...

Torço para que os presidentes das escolas da LESGA não se deixem levar por essa não obrigatoriedade e continuem levando a alegria da criançada para a Marquês de Sapucaí. A renovação e a continuidade de uma escola de samba começa com a gurizada.

A escola de samba que descer do Grupo Especial irá para sorteio da ordem de desfile. A escola que subir do Grupo B irá abrir o desfile e a vice-campeã do Grupo A poderá escolher o seu horário de apresentação - Ainda não consigo entender o motivo da São Clemente abrir os desfiles de sábado. Toda a escola que vem do Especial vem com uma bagagem e uma estrutura invejável, não apenas material e ou financeira, mas de contingente humano. Alguém ousaria não colocar a escola da Zona Sul como uma das favoritas para subir para o Especial? E por quê ela tem de abrir os desfiles?

A escola que vem do B abre os desfiles - É correto. Aprendemos assim e por tradição já aceitamos isso com naturalidade. 

A Vice-campeã escolhe sua posição em desfile - É coerente, se a campeã foi pro Especial, a vice-campeã é a melhor colocada do grupo e merece escolher sua posição.

E mudando de assunto: Fiquei triste quando li a notícia da saída do Fábio de Mello da Mocidade. Fiquei muito feliz quando o presidente Paulo Vianna e seu diretor de carnaval e meu amigo pessoal José Luiz Azevedo voltaram atrás e reconduziram esse grande profissional ao seu posto. O Fábio de Mello foi o mentor dos shows das comissões de frente e seria muito ruim não termos seu talento na Sapucaí. Parabéns para Mocidade por ter humildade e reconhecer um erro, afinal, um Fábio de Mello não se encontra em cada esquina.

Que voltem os comentários,
contrários ou a favor,
mas agora, por favor
com firmeza, mas com carinho e respeito ao nosso leitor

Um abraço e desculpem o versinho.. Pelo menos rimou
Luiz Fernando Reis


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Análise das mudanças na Lesga

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 11/09/2008 10:26:13

Quando a idade vem chegando é comum nos tornarmos mais reacionários, mais conservadores. Toda e qualquer mudança parece assustar e o pessimismo nos envolve e toma conta da gente. Parece que nada vai dar certo. A fundação da LESGA, surpreendentemente, me encheu de otimismo em relação ao futuro do Grupo de Acesso A. Soltar as amarras que prendiam esse grupo seleto à Associação parece que foi o melhor caminho a ser seguido.

Não espero uma melhora significativo do Grupo ou mesmo das escolas, até por que esse será seu primeiro ano e a inexperiência em comandar um desfile dessa grandiosidade pode permitir algumas falhas operacionais. No entanto, e como um apaixonado pelos desfiles dos Grupos de Acesso, torço muito para que tudo dê certo para a Liga das Escolas do Grupo A. É com esse espírito otimista que faço uma breve análise das mudanças já propostas pelos dirigentes da LESGA para o próximo desfile.

Acesso e rebaixamento

Como muitos sambistas prefiro o acesso de duas escolas do Grupo A para o Grupo Especial e consequentemente o rebaixamento de duas agremiações do Especial  para o A. Explico: Sempre que uma escola sobe de grupo, ela ganha um ânimo novo, uma nova e surpreendente motivação em crescer e se fazer parecer com o seu novo grupo. A escola cresce, se movimenta e mesmo que ela não tenha sucesso no desfile e seja rebaixada no ano seguinte, só o crescimento que ela viveu e conquistou já valeu a pena. E quando retorna ao seu grupo original, ela está muito fortalecida, perde muito do que conquistou, mas está, com certeza, melhor e maior que antes. Por isso, eu prefiro que duas escolas cheguem ao Especial. São duas escolas que crescerão e fortalecerão seu grupo de origem, num possível e até provável insucesso.

Da mesma forma que o rebaixamento de duas escolas do Especial cria uma motivação em fazer melhores carnavais. O sobe e desce com duas escolas é bom para ambos os grupos. Uma escola é pouco, duas é o ideal, mas três já acho demais. Sinceramente, preferia a LESGA lutando pelo acesso de duas escolas do A para o Especial. Assim com queria o acesso de duas agremiações do B para o A.

Ensaios Técnicos

Sou plenamente favorável aos ensaios técnicos das escolas da LESGA na Sapucaí. Isso só melhorará o desempenho dessas escolas nos desfiles de sábado. Mas tenho uma preocupação com o custo desses ensaios. Uma escola do Grupo Especial tem uma receita que permite com folgas patrocinar a ida de sua comunidade para a Sapucaí. Será que bancar de 5 a 10 ônibus para um ensaio está no pequeno orçamento das escolas da Lesga? Tomara que sim, mas que isso não enfraqueça o seu carnaval.

Homem fantasiado na Ala das Baianas

Sou um crítico da Associação, mas a permissão de homens fantasiados de baianas foi uma regulamentação acertadamente proposta naquela casa. As escolas dos grupos menores vinham sendo constantemente punidas por não apresentarem as quantidades mínimas de baianas exigidas em regulamento e a solução encontrada foi permitir que homens complementassem essas quantidades. Apesar da Rocinha ter apresentado problema nessa regulamentação nos dois últimos carnavais, não vejo necessidade alguma da LESGA manter homens fantasiados de baianas em seus desfiles.

Por que estamos carentes de baianas? Esse assunto merece, em breve, uma coluna. Semana que vem continuo analisando as mudanças no regulamento da LESGA.

Que os comentaristas se manifestem, contra ou favor, vamos reacender nossos debates.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


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A polêmica da cerveja

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 03/09/2008 13:46:38

Meus amigos de samba, me chamam de polêmico, chato e ranzinza, sempre que dou razões para tal. Não gosto muito de ouvir esses adjetivos, mas, muitas vezes faço por merecer. Verdadeiramente, eu gosto de polemizar e com a idade avançando já começo a "ranzinzar".

Então vou polemizar um pouco com a matéria do nosso companheiro Isaac Ismar: "Lei Seca: o samba arruma seu jeito". 

Seria uma falta de bom senso tamanha se eu afirmasse que sambista não tem carro. Preconceituoso demais e até injusto de minha parte, mas qual seria a porcentagem de sambistas que têm carro? Seriam 5%, 10% ou um pouquinho mais que isso.

Se estivermos numa escola do Grupo Especial essa porcentagem é certamente maior, mas se descermos de grupo essa porcentagem cai e cai muito. E aqui deixo bem claro que definição de sambista é para o freqüentador assíduo de nossas escolas de samba. Não me refiro ao visitante que vai num Salgueiro ou numa Mangueira, mas o sambista de presença constante em nossos ensaios.

Nesse caso, a quantidade de carros diminui sensivelmente. Mas valeu o alerta Isaac, sambista de carro também precisa estar ligado na frase do momento: Se beber, não dirija.

Vou polemizar mais um pouco: Há alguns anos atrás, eu e um amigo, numa dessas cervejadas da vida criamos uma frase: Cerveja não é bom, bom é beber cerveja. Por isso, não adianta vender cerveja sem álcool, não é o gosto da cerveja que nos apetece e sim o álcool que nela aparece. Você já imaginou caipirinha sem álcool, vinho sem álcool ou uísque não alcoólico? Não tem jeito: Samba e cerveja formam um par perfeito e como um é pouco, dois é bom e três é demais, se tiver carro esqueça dele quando o papo for beber no samba. 

E já que estamos em época de concursos de samba enredo, vou juntar cerveja nessas eliminatórias. Muitas vezes, um compositor tem um samba pra lá de sofrível, um típico boi de corte, aquele tipo de samba que parece ter sido feito pra ser cortado, daqueles sem chance alguma de vitória. E eis que surge o bajulador de samba e começa a elogiá-lo:

- Não tem pra ninguém. O teu samba é o melhor, o refrão do meio é o mais animado da quadra. O samba é valente e é o meu samba. Esse ano é teu... e segue falando e sorrateiramente levando o compositor pra bem perto do bar.

E o compositor acredita, se empolga e começa a acreditar em seu samba e já no balcão ouve o famoso:

- Só de pensar na animação do teu samba, já me dá sede...

E o compositor acreditando nas palavras do bajulador paga uma, paga duas e sabe se lá quantas cervejas mais por aqueles elogios. 

Parece brincadeira, mas essa figura existe mesmo em nossas quadras. O elogio gratuito por alguns goles de cerveja.

E quando o samba é cortado, o carnavalesco é safado, o presidente já escolheu o samba, o diretor de carnaval ta comprado, isso pra poder ser publicado por aqui. 

Sai caro disputar um samba enredo. Gasta-se mais em cerveja que nos CDs de divulgação.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


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O horário do sambista

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 26/08/2008 12:00:47

O amigo colunista Lula Branco Martins fez uma pergunta. Se ele me permite gostaria de tentar responder.

"E o que dizer destes cortes de samba? A disputa começa, começa, veja bem, começa!!!, uma e meia da manhã em algumas escolas. O que é isso? Pra que isso? Pro pessoal consumir mais cerveja? É só por isso mesmo? Aí em escolas em que há muitos sambas inscritos a coisa só acaba depois de quatro e meia da matina. Pra que isso, minha gente?" (Lula Branco Martins)

As noitadas de samba começam após o jantar, após o jornal da noite e nunca antes de terminar a novela da época. E a noitada só começa de verdade no caminho para a quadra e aí já são 10h da noite. Mas é preciso ter cuidado para não se atrasar muito, pode ser que o ônibus que o leve para o samba já tenha encerrado suas atividades naquele dia. E é aí que tento responder ao companheiro escriba Lula Branco Martins.

O nosso sistema de transportes coletivos é péssimo durante a madrugada. Diversas linhas deixam de funcionar após meia noite e só retomam suas atividades lá pelas cinco da manhã. Se começarmos os cortes de samba muito cedo eles terminarão por volta das 3h da matina e veremos nossos sambistas aguardando o seu retorno para casa por um tempo raramente inferior a 2 horas...
 
Por isso e como dirigente sempre lutei para que os sambas começassem mais tarde e levássemos a noite, já madrugada, até por volta das 4 e meia da manhã. Assim nossos freqüentadores sairiam e sem muita demora poderiam tomar o caminho de volta a casa.

Imagino o Lula lendo essa matéria e fazendo cara de quem não aceitou muito minha resposta. Posso tentar uma outra explicação?

O pessoal chega na porta da quadra realmente por volta das 22h e por ali encontra os amigos e lembram, como todo bom sambista, que o preço da cerveja lá dentro é quase o dobro, quando não é mais que isso, que o preço da cerveja nas barraquinhas do entorno da quadra. E é aí que se inicia, de verdade, a maratona etílica da noite-madrugada.

Eu mesmo, e acompanhado de outros diretores da escola, já permaneci nas barraquinhas tomando as abençoadas geladinhas que Deus nos deu. E fica esse jogo de empurra: O dirigente esperando o sambista, que com a quadra cheia, começar o samba e lá de fora os sambistas esperando a continuada saideira ou a última entradeira (afinal chega a hora de entrar na quadra) da noite. E nisso a hora vai passando, passando e já são 1h da manhã. Já devidamente calibrados entram os sambistas. Por isso, os sambas começam tão tarde.

Espero que essas duas tentativas de explicação tenham convencido o amigo Lula Branco Martins. Em tempo: E já que falei em cerveja, gostaria de comentar em nossa próxima Conversa de Carnavalesco, a matéria do companheiro Issac Ismar - Lei Seca: o samba arruma seu jeito.

Um abraço e até lá
Luiz Fernando Reis


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Um bom enredo nasce em casa

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 13/08/2008 09:17:26

"Há quem reclame (entre eles o colega Luiz Fernando) que esteja sendo criado um "escritório de enredos", assim como já acontece no mundo dos sambas. Ele próprio pode entrar em detalhes sobre isso." (Eugênio Leal) 

Semana passada o amigo e colunista "Eugênio, o Leal" citou o meu nome em sua coluna e me desafiou a comentar o assunto "escritório de enredos". Vamos responder ao amigo.

Reafirmo que não gosto das empresas de enredo e explico: Um enredo é uma peça fundamental no que eu chamo de um projeto de carnaval. O enredo é o germinar de tudo. É a partir dele que tudo se inicia. Os figurinos de alas, destaques, figurações e composições se originam nas propostas do enredo. O projeto alegórico tem sua origem nesse mesmo enredo. Os sambas são orientados e inspirados na sinopse desse enredo. E todo um carnaval, ou como prefiro chamar, projeto de carnaval começa nele. Portanto, o enredo é a peça fundamental de um carnaval. 

Por isso, eu não gosto de ver esse momento tão importante sendo terceirizado e sendo realizado por mãos e cabeças não totalmente entrosadas no ambiente da escola. É claro que uma sinopse tem a total participação do carnavalesco da escola, afinal, ele é o grande mentor de todo o processo, mas nem sempre esse profissional tem, além dos dotes plásticos, os dotes literários necessários para a confecção de uma boa sinopse, por isso aceito com naturalidade quando uma escola tem um profissional para isso. Um profissional que em parceria com o carnavalesco desenvolva o texto de um enredo.

Assim é na Unidos da Tijuca, onde o Julio César Farias em parceria com o carnavalesco Luiz Carlos Bruno desenvolve a sinopse do enredo. Na Vila Isabel, o pesquisador Alex Varela se une ao carnavalesco Alex de Souza na composição de sua sinopse. Na Mangueira, o departamento cultural é um braço auxiliar na criação do enredo e da sinopse. No Salgueiro, o carnavalesco Renato Lage tem no departamento cultural uma assessoria valiosa. Nosso ex-colunista Gustavo Melo faz parte dessa diretoria do Salgueiro. E quando a sinopse nasce com a participação de componentes da escola, sejam eles profissionais ou não, esse apoio me parece o ideal.

Mas não quero desmerecer o trabalho do Marcos Roza, trabalho esse, que a exemplo do que colocou o Eugênio Leal, também admiro muito. Eu gosto da forma rimada como o Marcos trata as suas sinopses, ele é inegavelmente um bom profissional. Faz um bom trabalho como pesquisador e como "sinopsista" (neologismo agora criado).

A minha crítica maior vai para as escolas que se acomodam e preferem contratar um profissional, terceirizando um trabalho que deveria ser desenvolvido em casa. Uma sinopse é muito importante e não vejo com bons olhos quando ela é escrita de fora para dentro da escola. 

O que proponho é que as escolas de samba valorizem os seus departamentos culturais, que são, na maioria das vezes, cargos decorativos. Que as escolas criem projetos culturais e que através deles possamos resgatar, por exemplo, a memória de nossas escolas. Cada vez que um componente da Velha-Guarda morre, cada vez que uma baiana nos dá adeus, eles levam consigo toda uma história, um pouco do passado, das tradições e da cultura dessa escola. Um bom departamento cultural poderia nos auxiliar nesse resgate da história de cada uma de nossas escolas de samba.

E no momento da escolha de um enredo esse departamento cultural seria o braço literário que muitos de nossos carnavalescos necessitam. A sinopse não seria contratada, seria trabalhada e lapidada no ambiente da escola. Por isso prefiro que as sinopses nasçam dentro das escolas. Esse é apenas o meu ponto de vista.

Apenas um toque: Ninguém merece ler que a Associação poderia desfiliar quatro escolas do Grupo de Acesso. Não somente elas como outras 7 (agora 10) tomaram por si mesmas essa decisão. Que a Lesga venha para valorizar o Grupo A, mas que saiba valorizar e respeitar o sambista que tanto gosta dos desfiles do Grupo de Acesso A.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


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E que vençam os melhores!

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 03/08/2008 21:39:10

As escolas entram agora em seu segundo momento, enredos escolhidos, sinopse nas mãos dos compositores e começam a nascer versos, rimas e melodias, estruturas melódicas diversas e variadas na busca de ver seu samba como o hino da escola. Essa é uma fase que me agrada bastante num projeto de carnaval. Algumas escolas chegarão a 70 ou 80 sambas, outras não passarão de uma dúzia deles. O importante é que teremos as escolhas dos sambas para 2009. 

Como carnavalesco e como diretor de carnaval tive a oportunidade de participar, como julgador, de mais de 3 dezenas de escolhas de sambas e gostaria de compartilhar com os amigos essa minha experiência em escolher sambas-enredo.

A coisa toda começa na entrega da sinopse. Aqueles sorrisos largos e otimistas dos compositores te recebem como um rei, abraços e mais abraços e cumprimentos fazem prever uma tranqüila e agradável escolha de samba-enredo. Mas a coisa vai mudar... Em breve os sorrisos se tornarão cada vez mais raros, os abraços serão tímidos ou inexistentes. Aparecerão as caras feias, os rostos fechados dos compositores que olharam seu samba ser eliminado do processo. E aqueles amigos do inicio do concurso vão desaparecendo com os cortes dos sambas. E vão desaparecendo da escola também. Alguns estarão de volta em um mês, mas a maioria você só verá no dia do desfile e ainda reclamando do samba vencedor.

Alguns compositores nessa fase de corte até evitam falar com os membros da comissão de escolha do samba. Até mesmo nós da comissão preferimos apenas um cumprimento sóbrio e rápido, já que um cumprimento mais afetuoso pode se tornar o papo predileto dos outros concorrentes. Os demais compositores podem ver nisso, e com certeza imaginarão, uma possível armação.

Para quem não está muito envolvido na escolha de um samba-enredo imagina um momento de paz, tranqüilidade e harmonia, onde todos os segmentos da escola se irmanam na busca do melhor samba. A coisa vai muito além disso. Muitas vezes um compositor mais simpático, mas com um sambinha fraco consegue o apoio de alguns segmentos da escola. E esse segmento tenta te convencer das qualidades daquele samba bom de corte. E você nem pode questionar o gosto daquele componente, esse comentário chegará ao compositor.

Muitas vezes um samba pra lá de mediano sempre se classifica e está quase chegando na final ultrapassando sambas bem melhores que o dele. Saibam que o diretor tesoureiro adora esse samba, na verdade, o que ele adora são as centenas de cervejas e pratos de salgados consumidos pelo comprositor (não errei não, ele não compõe, ele compra tiques de cerveja, tiques de batidas, CDs para quase toda a escola, adereços para a torcida e vai por aí).

É claro que esse samba pode até chegar a final, mas será apenas um boi de corte, um convidado endinheirado que serviu apenas para engordar a receita da escola até o último momento. Nos grupos de acesso onde o dinheiro é muito escasso essa prática é muito normal. Nas riquinhas do Especial isso, atualmente, é muito raro acontecer, mas ainda acontece. Por isso não tentem classificar os sambas, na medida em que eles caem. Essa ordenação, certamente, será errônea.

Uma outra coisa que a gente percebe num concurso de sambas-enredo é que quanto mais sambas apresentados, mais sambas ruins a gente precisa escutar. De um modo geral a metade dos sambas apresentados são muito fracos. Não me queiram mal, meus colegas compositores, assim como o Eugênio e o Lula Branco Martins também arrisco uns versinhos, mas essa é a verdade. Raramente numa disputa de samba-enredo, a coisa vai além de dois ou três sambas com reais possibilidades de vitória. Os demais são bois com abóbora, alguns até bem temperados, mas sem nenhuma chance de vitória.

Nisso tudo, uma coisa é certa. Já vi escolhas erradas de sambas, já vi sambas excelentes serem cortados antecipadamente por razões pessoais e descabidas. Já vi sambas caírem e retornarem. Já vi de tudo um pouco nas seleções dos sambas-enredo e vejo com muito otimismo a seriedade com que as escolas tem encarado suas escolhas.


Afinal, um bom samba-enredo puxa consigo outros quesitos em julgamento. Harmonia, Evolução e Conjunto são três deles que crescem muito com uma boa escolha. Que todas as escolas saibam escolher seus melhores sambas. Nós, sambistas agradeceremos. O Carnaval Carioca agradecerá. Ainda volto a esse assunto, temos muito a conversar sobre ele.

Um abraço
Luiz Fernando


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A reedição de um samba-enredo

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 26/07/2008 00:23:49

O SRZD-Carnavalesco no dia 23 de Julho de 2008 publicou a seguinte matéria:

"Foi batido o martelo. O Império Serrano vai reeditar o samba-enredo "A lenda das sereias, rainhas do mar", apresentado no Carnaval de 1976. Com a reedição, o Império poderá receber a verba de R$ 500 mil dada pela Liesa para escola do Grupo Especial que reeditar um samba-enredo.

Vale lembrar que no Carnaval 2006, a Inocentes de Belford Roxo fez a reedição do mesmo "A lenda das sereias". Os autores do samba são Dinoel Sampaio, Vicente Matos e Arlindo Veloso".

Quando me preparava para comentar essa matéria recebi na lista de discussão Planeta Samba esse comentário do amigo Rodrigo Paes, lá do Paraná, e que aqui, com a sua devida autorização, reproduzo.

"Amigos,

Ao ler esta notícia, que me deixou surpreso (acho que preciso andar melhor informado), fiquei me perguntando: qual a vantagem de se criar algo novo diante de tamanha benevolência em receber uma generosa gratificação para algo que já está pronto? 

Sinceramente, acho essa atitude da Liga pra lá de questionável. É uma pena.

Tudo bem que mais uma vez teremos o prazer de ouvir mais uma vez esse belíssimo samba pela terceira vez (pra mim será a segunda porque em 1976 eu não era nem projeto), mas não sei, sou bastante resistente à esse negócio de reedição..." 

Abraços,
Rodrigo Paes


É isso aí Rodrigo. Concordo contigo. Por que devemos criar um novo enredo se a própria entidade que organiza os desfiles do Grupo Especial patrocina com R$ 500 mil uma reedição de samba-enredo?

As notícias de samba, muitas vezes, nos fazem perder a noção de dinheiro. Gente, R$ 500 mil é muito dinheiro, quase o dobro do que recebe uma escola do Grupo de Acesso A para colocar seu carnaval na rua. 

Dentro de uma visão romântica dessa situação sou contra a reedição de sambas, ouvir novamente um samba, que fora reeditado, não é tão agradável assim.

Mas se nos colocarmos numa visão mais realista da situação, na ótica dos dirigentes do Império Serrano (ou será da Império Serrano, como o Lula Branco nos ensinou a questionar o sexo das escolas?) perceberemos que essa reedição cai como uma luva numa escola recém chegada do Grupo de Acesso A e que certamente chega ao Especial com dívidas. Esse R$ 500 mil provavelmente colocarão no mesmo patamar financeiro, descartados os patrocínios extras, de suas concorrentes no Especial.

E tem mais um dado pertinente no processo criativo. Para o carnavalesco uma reedição de samba-enredo permite criar o enredo em cima do samba já pronto, o que não acontece num enredo original, já que nesse caso a criação do enredo, e aqui coloco como disposição de alas e alegorias, acontece de forma simultânea à escolha do samba enredo. E nem sempre o samba escolhido é o melhor retrato do que o carnavalesco precisaria para dar um melhor entendimento a seu cronograma de desfile.

Desfilar com um samba reeditado permite uma leitura bem mais clara do enredo, já que ele foi criado com o samba-enredo já pronto, testado e aprovado.

Parabéns para diretoria do Império Serrano por tomar essa decisão: Sanear suas dívidas e permitir que a carnavalesca Márcia Lávia desenvolva o enredo totalmente adaptado ao samba.

Um Abraço
Luiz Fernando Reis


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LESGA - Favorável desde que...

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 17/07/2008 23:56:44

A principal razão apresentada pelos insatisfeitos presidentes das escolas do Grupo A para a fundação da LESGA são as mesmas de quando a LIESA foi fundada há alguns anos atrás. A Associação usa um sentimento pequeno e iguala escolas do porte de uma União da Ilha, São Clemente, Caprichosos, Rocinha, Estácio e até ano passado o Império Serrano com as pequeninas escolas do Grupo E. 

Com todo o respeito que essas escolas merecem, não podemos comparar a grandiosidade do espetáculo de um Grupo A com a humildade dos desfiles do Grupo E, compreensível pelos poucos recursos recebidos por essas escolas.

O que comenta-se é que a reeleição nada programada do atual presidente da AESCRJ tenha sido a gota d?água para a separação do grupo de elite da Associação das demais co-irmãs.

A exemplo do companheiro Eugênio Leal vejo com otimismo a criação de uma entidade coordenadora dos desfiles do Grupo de Acesso A, mas um otimismo cauteloso.

Não podemos ser favoráveis, se uma supervalorização dos desfiles de sábado elevar a preços proibitivos os ingressos desse grupo. Não podemos tentar crescer a receita e esvaziarmos o público presente e participativo de hoje.

Não podemos ser favoráveis, se uma supervalorização dos desfiles de sábado nos impedir de assistir a fraca, porém, existente transmissão dos desfiles de sábado, nem encarecer o bom produto fonográfico que temos hoje, e diga-se de passagem bem mais autêntico e mais gostoso de ouvir que o oferecido pela LIESA.

Não podemos ser favoráveis, se o julgamento da Grupo A sair das mãos da Secretaria das Culturas, que mal ou bem, melhorou e muito, os resultados dos últimos carnavais.

Não podemos ser favoráveis, se a LESGA se imaginar uma mini LIESA. Os desfiles do Grupo A possuem características e particularidades próprias e descaracterizá-las seria lamentável.

Se A LESGA chega querendo dar maior visibilidade, maior força política, maior divulgação de um produto excelente que é o desfile do Grupo A estamos firmes apoiando a iniciativa.

E não duvido que em bem pouco tempo, alguns poucos anos, não tenhamos a criação da LESGB ? Liga das escolas do Grupo B.

Viradouro

Lamentei a saída do carnavalesco Paulo Barros da Viradouro, mas fiquei muito contente ao ler a sinopse que o Milton Cunha preparou para a escola. Se a alegria e descontração passada na sinopse se transformar num bonito samba e a irreverência escrita aparecer na avenida, será muito bom revermos Bahia na Sapucaí.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


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Não sou dono da verdade e nunca serei

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 16/07/2008 23:46:16

Nessa última semana, um comentário de um de nossos leitores me deixou por demais intrigado. Dizia que um colunista é um formador de opinião. E de repente me assustei muito com essa coisa de escrever colunas num site de carnaval.

Sinceramente, eu não me vejo como um formador de opinião e nem quero ter essa responsabilidade tão grande. Me considero um explanador de idéias, um expositor de teorias e argumentos, mas que em nenhum momento representam a verdade absoluta do assunto abordado.

Não quero e não sou o dono da verdade e tenho a certeza que nenhum de nós colunistas tem essa pretensão. A grande razão de uma coluna, qualquer que seja o assunto que ela aborde, é trazer um argumento que sintetiza o ponto de vista desse articulista. Esse deve ser o ponto de partida de análise e reflexão dos leitores e cada um siga o seu ponto de vista, tira da matéria o que for útil e descarte o que não considerar pertinente.

Com sinceridade, o melhor colunista está em cada um de nós. Quantas vezes lendo um comentário de um leitor percebo que seu argumento é melhor que o meu, quantas vezes lendo um de nossos comentaristas, que são vocês leitores, noto uma argumentação bem mais consistente que a minha. Quantas vezes um contra-argumento me convence de que imaginara não era tão correto assim.

Eu não concordo com tudo o que o Eugênio escreve por aqui, já discordei várias vezes da Thatiana e do Lula. Tenho certeza de que cada um discordou de alguns de meus pontos de vista. Mas aprendo sempre um pouco com cada um deles. E acredito que eles aprendam comigo também.

É assim que vejo um coluna: Um painel de idéias que nem sempre são concordantes com o meu modo de pensar. Uma coluna é um ponto de partida de um amplo e salutar debate, onde ao final cada parte discordante terá dado um salto de qualidade na sua forma de pensar.

E na boa: Verdade, quem tem?

E pra não deixar de falar em samba, gostaria de confessar que gostei muito da penúltima matéria do Eugênio Leal e gostaria de acrescentar algumas observações.

É inegável o talento do carnavalesco Alex de Souza, que conheço desde os tempos em que era apenas um auxiliar de figurinos do mestre Renato Lage. O moço é de um bom gosto invejável, trabalha formas e cores de forma admirável e não foi à toa que de seu risco nasceram, em minha opinião, o melhor conjunto alegórico, em luxo, adequação e requinte do carnaval passado. E tem esse ano um enredo autoral, bonito e elegante, mas um enredo clássico e limitado. Com a chegada do Paulo Barros, a frieza desse enredo pode ganhar novos ares e o trabalho do Alex crescer em vários sentidos. Assim como o trabalho do Paulo falta receber um desfile de escola de samba que faltou no carnaval passado.

Poderia o Alex ter negado o pedido de seu presidente Moisés, poderia ter fincado pé firme e não ter admitido a inclusão de um carnavalesco renomado ao seu lado. Mas tem um sábio ditado que sempre lembra: Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Além de bom gosto e talento o Alex teve juízo e torço muito para que essa parceria dê certo e como o Eugênio já colocara em sua coluna, a Vila que estava meio escondidinha, acordou e clamou: Estou viva e vou brigar de verdade por esse carnaval. 

Essa é a verdade? Claro que não. Essa é apenas a minha opinião. E que venha mais um rodada de bons debates.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


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Surpresas desagradáveis do carnaval

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 06/07/2008 20:58:45

"Paulo Barros não vai trabalhar no Grupo Especial no Carnaval 2009". Esse título pareceu uma brincadeira e de muito mau gosto. Porém, a nota não tinha nada de brincadeira. O mais importante carnavalesco dos últimos desfiles está fora da elite de nosso carnaval.

Está fora por que soube ousar, soube ser abusado, quebrando normas e padrões de como se deve fazer carnaval. Ele seguiu um outro caminho, o seu caminho e nos encantou. Transformou, sem medo algum, pessoas em alegorias e fez, como nunca tinha sido visto, alegorias de pessoas que tinham uma função específica, isto é, contar o enredo daquela alegoria. 

Não eram simples composições, eram atores representando como numa peça teatral. É claro que não foi o Paulo, o inventor de pessoas encenando numa alegoria. A Rosa Magalhães já havia feito isso, a Beija-Flor já fez teatralizações em seus carros, o saudoso Oswaldo Jardim já fizera antes, mas nenhum fez com tanta grandiosidade como Paulo Barros.

Ele não foi tão surpreendente esse ano, ele errou pois priorizou demais o show em detrimento do desfile de escola de samba. O seu crédito nos permitia aceitar seus erros. Qual carnavalesco não errou e não exagerou em suas idéias e propostas? Tenho certeza que saberia dar um toque criativo na "BAHIA", um enredo batido e já cantado tantas vezes. 

Perde a Viradouro sem a ousadia e criatividade desse fora de série do nosso carnaval, mas quem perde muito sem o espetáculo e show que esse jovem talento nos proporciona é o carnaval carioca.

O desfile desse ano terá luxo, muito luxo, mas sentiremos falta, pelo menos eu sentirei, da criatividade ousada e surpreendente do Paulo Barros nos desfiles do Grupo Especial.

Vamos aguardar da Renascer de Jacarepaguá, um pouco da criatividade e ousadia do Especial, que está de mudança para lá.  

Um abraço
Luiz Fernando


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Que sinopse é essa?

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 02/07/2008 16:47:22

Leve como um suave toque de tambor
Simples e sucinta, detalhista sem detalhar coisa alguma
O Renato deu liberdade para os compositores criarem
E não permitiu detalhar no fundo como desenvolverá alas e alegorias
Fez uma poesia e desde já se torna parceiro do samba
Basta caprichar na melodia
Ele disse tudo e disse quase nada
E fez uma sinopse limpa e bonita como seu trabalho
Gênio tem dessas coisas:  fala pouco e o que fala soa claro e sem retoques
Parabéns Renato,
Parabéns Salgueiro,
Parabéns para a ala dos compositores do Salgueiro que tem nas mãos uma obra prima
E só cabe lapidar e harmonizar numa melodia vibrante.
O Salgueiro terá um samba muito bom para o Carnaval 2009
Um bom samba começa numa boa sinopse e isso o TAMBOR tem.

Um abraço
Luiz Fernando


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Sorteio do Grupo Especial

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 29/06/2008 23:31:02

Sorteio depende de sorte e como sorte nunca foi o meu forte, nunca gostei desse tipo de seleção. Se eu peço par dá ímpar, se eu peço ímpar dá par. Se na roleta escolho preto dá vermelho, se escolho vermelho dá preto. Enfim, eu sou um autêntico exemplar de azarado.

Não amigo leitor. O site SRZD-Carnavalesco não está dando replay da matéria anterior. O papo do sorteio continua e focado no Grupo Especial, coordenado pela Liesa.

Novamente bato na mesma tecla, e desde já, me desculpem se pareço chato, sinceramente, acho que estou sendo, mas não posso deixar essa idéia adormecer eternamente no HD de meu PC.

Por que o fator sorte é o orientador da ordem de desfiles? Se esse espetáculo depende de talento, de samba, de ritmo, de beleza, bom gosto e criatividade, por que a sorte deve influenciá-lo? E com certeza ela acaba por influenciar. 

Eu nunca vi uma escola de samba escolher seu mestre-sala ou sua porta-bandeira por sorteio, Nunca um carnavalesco foi escolhido com mão no saco. A escolha sempre leva em consideração o talento e o desempenho anterior dessa profissional. E por que devemos sortear a ordem de nossos desfiles?

E por que não podemos premiar o desempenho das escolas do ano anterior como o grande parâmetro para a escolha da ordem de desfiles? Não precisamos de sorteio algum. As próprias escolas, a partir de critérios, por elas mesmas determinados escolherão suas ordens de desfiles.

Criei também para o Grupo Especial um critério, que em nenhum momento, se propõe a ser o correto, o verdadeiro ou o ideal, apenas utilizarei como exemplo de como os sorteios parecem totalmente desnecessários. 

A primeira escola a escolher sua posição de desfile seria a campeã do Grupo Especial do ano anterior. Para a escolha do próximo ano seria a Beija Flor, que escolheria sua posição e seu dia de desfile. Imaginemos que a escola nilopolitana escolhesse a segunda feira e sendo a quinta escola a desfilar.

A segunda escola a escolher sua posição seria a vice-campeã no ano anterior. E nesse ano seria a Acadêmicos do Salgueiro a fazer a segunda escolha. Imaginemos que o Salgueiro preferisse a segunda-feira, mas não colada na campeã Beija Flor e optasse por ser a terceira a desfilar na segunda feira de carnaval.

Nesse momento entraria em cena uma regulamentação específica para esse tipo de escolha: A diferença entre a quantidade de escolas de um dia e de outro nunca poderá ser maior que dois e com isso a terceira colocada no ano anterior, em nosso exemplo a Grande Rio, teria que, obrigatoriamente, escolher o domingo como seu dia de desfile. Isso faz com que exista um maior equilíbrio entre os dois dias de desfile. Vamos supor que a Grande Rio escolhe a quarta posição de Domingo de carnaval.

A quarta escola a escolher sua posição seria a quarta colocada do Especial do ano anterior. E nesse caso seria Portela. Como a diferença entre as quantidades de escolas de um dia e outro é agora de 1, a Portela pode escolher qualquer um dos dias. Se ela escolher desfilar na segunda, ele enfrentará num mesmo dia a campeã e a vice do ano anterior e isso pode não ser muito interessante. Se preferir o Domingo lá estará a terceira colocada Grande Rio. E aí aparece uma situação: a escola determinará, independente da sorte, uma estratégia de desfile.

Enfrentar as duas melhores colocadas no ano anterior num dia aparentemente melhor, a segunda-feira, ou em um dia considerando mais fraco, mas enfrentando diretamente a terceira colocada no ano anterior. Considero essa escolha de estratégia muito salutar para o mundo do samba.

E assim continuaria nossa escolha, sempre respeitando que a diferença entre as quantidades de escolas de um dia e outro nunca ultrapasse o valor 2, e sempre seguindo a ordem de classificação do ano anterior.

A última escola a escolher seria a Porto da Pedra, penúltima colocada em 2008. Restando para a campeã do Grupo A em 2008, o Império Serrano a derradeira vaga na ordem de desfile.

Aparentemente essa forma de escolha parece ser complicada, mas aos poucos o seu entendimento acontecerá e deixaremos de ter o sorteio, também no Grupo Especial.

Uma coisa merece ser elogiada no critério de sorteio da Liesa, ela tenta equilibrar as escolas de uma maneira bastante eficiente e, de certa maneira, tem conseguido isso com os pares equilibrados de escolas.

Porém, eu fico triste com uma coisa. Essa festa não poderia ser fechada, ela poderia e deveria ser aberta ao público, talvez, não na Cidade do Samba, mas na Apoteose, por exemplo. E como encerramento da festa uma grande noite de samba para todos nós, pobres sambistas.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


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É preciso sorteio?

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 21/06/2008 18:44:01

Sorteio depende de sorte e como sorte nunca foi o meu forte, nunca gostei desse tipo de seleção. Se eu peço par dá ímpar, se eu peço ímpar dá par. Se na roleta escolho preto dá vermelho, se escolho vermelho dá preto. Enfim, eu sou um autêntico exemplar de azarado.

Lembrei disso quando li por aqui que o presidente Renatinho da São Clemente gostaria de trocar sua posição como primeira escola de desfile do Grupo de Acesso A com uma outra agremiação. Mas que regulamento louco é esse que pune uma escola que vem do Grupo Especial com a pior colocação de um desfile.

Claro que não é o fim do mundo abrir um desfile, mas não é nenhuma pole-position. Uma escola que vem do Grupo Especial traz toda estrutura remanescente de quem recebeu algo em torno de R$ 3 milhões e, por isso, certamente será uma das favoritas ao título do carnaval do Grupo de Acesso 2009. Por isso, eu não compreendo como ela precisa abrir os desfiles de sábado. Se é para atrair um bom público logo no início do desfile, sinceramente, eu não acredito que isso aconteça. O carnaval adulto está apenas começando.

A gente que tem um pouco mais de experiência nos desfiles de sábado sabe muito bem que ele também funciona como um bom teste para os desfiles do Grupo Especial no domingo e na segunda-feira. O som ainda não está devidamente equalizado, a iluminação ainda carece de ajustes, os camarotes ainda estão em sua fase final de decoração e ainda ouvimos pregos, martelos e grampeadores nos retoques. É nesse ambiente que a campeã desse mesmo grupo no ano retrasado começará seu desfile. Não posso concordar com isso.

E aí o amigo me perguntaria: O que tem o sorteio a ver com isso?

Por que o fator sorte deve nortear a ordem de desfiles?  Se esse espetáculo depende de talento, de samba, de ritmo, de beleza, bom gosto e criatividade, por que a sorte deve influenciá-lo? Definitivamente, ela influencia.

Por que não podemos premiar o desempenho das escolas do ano anterior como o grande parâmetro para a escolha da ordem de desfiles? Não precisamos de sorteio algum. As próprias escolas, a partir de critérios, por elas mesmas determinados escolherão suas ordens de desfiles.

Criei um critério, que em nenhum momento se propõe a ser o correto ou o ideal, apenas o utilizarei para mostrar como os sorteios são totalmente desnecessários.

A primeira escola a escolher sua posição de desfile seria a vice campeã do Grupo A do ano anterior. Para o sorteio desse ano a Acadêmicos da Rocinha seria a primeira escola que escolheria sua posição. O presidente Maurício Mattos preferiria o miolo dos desfiles e numa posição que permitisse concentrar no lado do Correios, que no próximo ano será o lado par, inegavelmente, o melhor local de concentração.

A segunda escola de desfile seria a terceira colocada do Grupo A do ano anterior. Nesse ano seria a Acadêmicos de Santa Cruz.

A terceira escola a escolher sua posição seria a última colocada do Grupo Especial do ano anterior. Seria a São Clemente. Pensei muito nesse local e preferi a escola que veio do Especial pela estrutura que ela traz da elite do nosso carnaval.

A quarta escola a escolher sua posição seria a quarta colocada do Grupo A do ano anterior. Seria a Renascer de Jacarepaguá. A quinta escola a escolher sua posição seria a quinta colocada do Grupo A do ano anterior, que foi a União da Ilha do Governador.

A sexta escola a escolher sua posição seria a primeira colocada do Grupo B do ano anterior, ou seja, a Inocentes de Belford Roxo, que ficou com o título de 2008.

A sétima escola a escolher sua posição seria a sexta colocada do Grupo A do ano anterior. E nesse ano seria a Caprichosos de Pilares.

A oitava escola a escolher sua posição seria a segunda colocada do Grupo B do ano anterior, que foi a Paraíso do Tuiuti.

A nona escola a escolher sua posição seria a sétima colocada do Grupo A do ano anterior. E nesse ano seria a Estácio de Sá.

A décima escola a escolher e que não estará escolhendo sua posição, já que ficará com a posição restante e não escolhida seria a oitava colocada do Grupo A do ano anterior. E nesse ano seria a Império da Tijuca.

Perceberam que não utilizei em nenhum momento o fator sorte, utilizamos apenas o desempenho das escolas no ano anterior. Com isso teremos um espetáculo muito melhor dividido, com as possíveis favoritas desfilando em melhores posições.

Considero essa proposta interessante, mas tenho a consciência de que a ordenação dos critérios é uma coisa muito pessoal e sugiro aos amigos que melhorem ainda mais essa idéia. Fica uma pulguinha dizendo no pé do ouvido: As três últimas colocadas por esse seu critério serão contra a proposta, pois para elas o sorteio é bem mais interessante. Isso é verdade. Mas que esses presidentes pensem de forma otimista e não com o casuísmo do momento. Suas escolas amanhã vão adorar não entrar em sorteio.

Desculpem o tempo que tomei de vocês, mas esse troço de mão no saco nunca me cheirou bem (o trocadilho foi sem querer).

Um abraço
Luiz Fernando Reis


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Descanse em paz mestre Jamelão

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 14/06/2008 22:01:22

O rosto sempre fechado,
raramente simpático,
o mau humor de sempre
e envolto no pulso, o eterno elástico
A voz grave, afinada e elegante
O olhar firme, marcante
O verde e rosa correndo e vibrando nas veias
E bradando pra quem quisesse ouvir
"Puxador é quem puxa, quem canta é intérprete"
A Mangueira perde um homem, perde um nome e uma voz
Perde o samba carioca, perde o bolero e a canção brasileira
Perdemos todos, um timbre inesquecível
Você muito pouco sorria, mas nos fazia sorrir
Você não transmitia alegria, mas nos trazia alegria
Você ergueu tão alto e tão forte o nome de nossa querida Estação Primeira de Mangueira
Vá em paz mestre Jamelão
Sua passagem por aqui foi um show
Cartola, Lupcínio e Adoniram saberão te receber com o carinho que mereces
Obrigado por tudo José Bispo Clementino dos Santos
Obrigado Jamelão

Um abraço emocionado
Luiz Fernando Reis 


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